Janaina Torres Galeria traz à SP-Arte projeto que prioriza obras inéditas com diferentes perspectivas sobre a contemporaneidade e destaca o aspecto figurativo da linguagem pictórica.

De 08 a 12 de abril, a Janaina Torres Galeria marca presença na 22ª edição da SP—Arte, em São Paulo, com projeto especial que celebra seus 10 anos de atuação no mercado de arte contemporânea.

Idealizado em uma colaboração entre Janaina Torres e Heloisa Amaral Peixoto, o projeto, que estará no stand D18 da feira, sintetiza o programa curatorial que a galeria consolidou ao longo de sua trajetória, além de priorizar obras inéditas e trabalhos mais recentes de seus artistas representados, enquanto evidencia o figurativismo na linguagem pictórica.

Sobre o processo de escolha dos artistas e trabalhos para a SP-Arte, a curadora, Heloisa, detalha:

“Procuramos primeiramente buscar uma correlação entre as obras escolhidas, em um caráter individual para logo depois identificar aproximações formais ou conceituais que enriqueçam a percepção do visitante pelo conjunto. Ainda que os artistas sejam motivados em atuar em diferentes suportes, encontramos um “nexus” que irá funcionar como o fio condutor para um encadeamento semântico, construindo um pensamento visual coeso, coerente na sua qualidade e pertinente em trazer reflexões do nosso tempo contemporâneo.”
Heloisa Amaral Peixoto

No núcleo das pinturas, a vertente figurativa evidencia o vigor formal e a subjetividade, especialmente o figurativismo humano, que protagoniza a escolha das obras, tais como Espelho, de Manuela Navas; Rendição, de Caio Pacela, e As meninas de Guignard, de Deborah Paiva, que integram o stand.

Para Janaina e Heloisa, a escolha oferece um campo de possibilidades de fruição, seja quando dinamizam o espaço da tela, seja pelos recursos de cores que utilizam, recortando silhuetas que reverenciam o corpo como objeto central temático, além de momentos humanizados e líricos ao reproduzirem tanto a pausa como os gestos e movimentos.

“No projeto, essas e as demais obras selecionadas dialogam entre si, enquanto reforçam a intenção figurativista como ênfase do lugar de potência da linguagem pictórica, não só no âmbito artístico, mas, também em conexão com o debate contemporâneo.”
Janaina Torres

Além da pintura, inserem-se, no conjunto, desenhos, colagens, esculturas e objetos, em uma diversidade de formatos e materiais, tais como tijolo baiano, alfinete, resina e outros. Por fim, outro ponto em comum entre as obras levadas este ano para a feira, pela Janaina Torres Galeria, é que elas traduzem diferentes poéticas e percepções sobre a contemporaneidade, a partir da pluralidade intrínseca à arte contemporânea brasileira.

Participam do projeto os artistas Andrey Guaianá Zignnatto, Caio Pacela, Deborah Paiva, Dee Lazzerini, Jeane Terra, Laiza Ferreira, Liene Bosquê, Manuela Navas, Marga Ledora, Osvaldo Carvalho e Sandra Mazzini.

Deborah Paiva, As meninas do Guignard (2016)
Os 10 anos da galeria e a relevância da SP-Arte para sua trajetória e o mercado

Em sua nona participação na feira, Janaina destaca a relevância da SP-Arte e como o evento tem auxiliado tanto o mercado brasileiro em sua consolidação como o desenvolvimento da própria galeria:

“A feira é uma plataforma significativa de difusão da arte brasileira e ganhou, ao longo de sua história, um alcance internacional irreversível. Além disso, ao mesmo tempo em que é esse espaço consolidado para geração de negócios, também cumpre um papel institucional forte. Sem dúvida a SP-Arte tem um papel fundamental na construção da história da galeria. Um lugar onde a galeria tem a possibilidade de mostrar os projetos artísticos que vêm desenvolvendo e realizando só que numa outra escala de visibilidade. É um importante espaço, onde a galeria tem a oportunidade de fidelizar e ampliar o público.” —Janaina Torres

Andrey Guaianá Zignnatto (Jundiaí, em 1981), artista autodidata promove uma síntese do embate entre a tradição e a contemporaneidade e seus efeitos nas sociedades e culturas locais. Possui obras em importantes acervos, como o do Museu de Arte do Rio (MAR), Pérez Art Museum Miami (PAMM, EUA) e Fundação Capriles Brillembourg (Madrid, Espanha).

Caio Pacela (Espírito Santo do Pinhal, 1985), artista visual com mais de dez anos de carreira, vive em Niterói e trabalha em São Gonçalo (RJ). Bacharel em Pintura pela UFRJ, transita entre pintura e desenho, influenciado pela fotografia, explorando espiritualidade, corpo, identidade e transcendência em sua poética. Participou de mostras no Brasil e França e ganhou destaque na SP-Arte, sendo indicado ao Sauer Art Prize 2025.

Deborah Paiva (Campo Grande,1950). A artista construiu um percurso de rigor estético e sensibilidade, mantendo-se fiel à pintura como campo de reflexão e experiência. Sua obra foi apresentada em instituições como o MAM São Paulo, MAC USP, Museu Lasar Segall, Instituto Figueiredo Ferraz, MAC Campinas, Centro Cultural São Paulo, Paço das Artes, Palácio das Artes, Centro Universitário Maria Antônia, além de exposições individuais em galerias de referência. Paiva integra os acervos do MAM SP e MAC USP. Por mais de uma década, conduziu o Ateliê Livre de Pintura Contemporânea no Instituto Tomie Ohtake. Em 2010, integrou o setor educativo da 29ª Bienal de São Paulo.

Dee Lazzerini (Belo Horizonte, 1977). Artista visual, pesquisador e doutor em engenharia de biomateriais, forjou sua prática escultórica a partir da interseção entre arte, ciência e tecnologia. Integra as coleções do MNBA – Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro e do MACS – Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba e realizou exposições individuais e coletivas no Brasil, em cidades como São Paulo – com destaque para Latência, Museu de Arte Brasileira (MAB)/Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) em 2024 –, Belo Horizonte, Curitiba e Campinas, e no exterior – nos EUA e na França.

Jeane Terra (Mercês, 1975) investiga a memória, transitoriedade urbana e impactos da ação humana sobre a paisagem e o clima. Trabalha com pintura, escultura, fotografia e videoarte. Suas obras integram acervos do Instituto Inhotim, Museu de Arte do Rio e Centro Cultural Correios, e em 2023 foi indicada ao prêmio EFG Latin America Art Award pela SP-Arte. Já realizou exposições individuais em espaços como Centro Cultural Correios, Janaina Torres Galeria e Anita Schwartz Galeria, além de coletivas no Brasil, Europa e EUA.

Laíza Ferreira (Ananindeua, 1988), artista visual, educadora e pesquisadora, vive e trabalha em Natal. Licenciada em Artes Visuais (UFRN), investiga memórias ancestrais, temporalidades não lineares e processos de decolonização da imagem por meio de colagens e práticas fotográficas experimentais. Teve trabalhos exibidos no Brasil, Colômbia e Espanha, venceu o Prêmio Margem Fotografia Potiguar (2020) e foi indicada ao Prêmio Pipa (2021).

Liene Bosquê (Garça,1980) artista visual brasileira, radicada nos EUA desde 2008. Sua obra, que articula artes visuais, performance e arquitetura, já integrou acervos e exposições em instituições como MoMA PS1, Museum of Contemporary Art of North Miami, Frost Art Museum e Socrates Sculpture Park, além de circular por países como Brasil, Itália, Portugal, Coreia do Sul e Turquia. Mestre em Artes Visuais pelo School of the Art Institute of Chicago, é docente na University of Miami.

Manuela Navas (Jundiaí, 1996) é artista autodidata que transita entre pintura, fotografia e xilogravura, abordando corpos negros, o feminino e a maternidade sob uma perspectiva decolonial e afetiva. Realizou individuais no Brasil e na Itália e participou de exposições em instituições como Sesc Belenzinho, Museu de Arte do Rio e Centro Cultural de São Paulo. Suas obras integram coleções relevantes e também marcaram presenças em festivais e ocupações artísticas nacionais e internacionais.

Marga Ledora (São Paulo, 1959) é formada em Linguística pelo IEL/Unicamp. É no desenho que Ledora expandiu, nas quatro últimas décadas, uma poética singular, situando-se entre os artistas que renovam as possibilidades abertas pelos movimentos concreto e neoconcreto brasileiro. Participou de coletivas no Centro Cultural Banco do Brasil (SP, RJ, BSB), SESC Quitandinha e SESC Belenzinho. Em 2024, sua obra passou a fazer parte da coleção da Pinacoteca do Estado de São Paulo e em 2025 abriu sua primeira panorâmica institucional no museu.

Osvaldo Carvalho (Rio de Janeiro,1966). Com mais de duas décadas de trajetória dedicada sobretudo à pintura, Osvaldo Carvalho articula referências da cultura de massa, cinema, HQs e história da arte para tensionar questões sociais, ambientais e políticas. Participou de exposições em instituições como MASP, Paço Imperial, MAC-Niterói e Casa França-Brasil, além de mostras na Bélgica, Suécia, Portugal e Dinamarca, onde realizou residência artística em 2016. Foi finalista do Prêmio Marcantonio Vilaça (2019) e premiado em diversos salões, com obras em coleções como Pinacoteca de São Paulo, Inhotim e MUHCAB.

Sandra Mazzini (São Paulo, 1990). Artista visual formada pela Unesp, cuja pintura cria realidades alteradas a partir de camadas vibrantes de cor, estrutura e escala. Realizou individuais em instituições como o Museu Nacional da República e Farol Santander, além de coletivas no MARP e CAIXA Cultural Brasília. Suas obras integram acervos de destaque, como o Inhotim e o Museu Nacional da República.

Janaina Torres Galeria

Fundada em 2016, a Janaina Torres Galeria aposta em um programa curatorial que reflete um contexto cultural amplo, em que a experiência estética se alinha a questões geográficas, políticas e sociais. A galeria difunde seus artistas com responsabilidade e comprometimento para que eles tenham seu legado reconhecido e respaldado pelas mais respeitadas instituições. A partir de sua missão de educar, aproximar e conectar artistas, curadores, colecionadores e amantes da arte, busca garantir um acesso verdadeiro dos mais diversos públicos a uma produção artística brasileira contundente e vibrante. São representados pela Galeria os artistas Andrey Guaianá Zignnatto, Antonio Oloxedê, Caio Pacela, Daniel Jablonski, Dee Lazzerini, Deborah Paiva, Feco Hamburger, Helena Martins-Costa, Heleno Bernardi, Jeane Terra, Kika Levy, Kitty Paranaguá, Laíza Ferreira, Liene Bosquê, Luciana Magno, Manuela Navas, Marga Ledora, Osvaldo Carvalho, Pedro David, Pedro Moraleida e Sandra Mazzini.


Serviço: Janaina Torres Galeria na SP-Arte, estande D18, de 08 a 12 de abril, na SP-Arte 2026, Pavilhão da Bienal, SP.

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Publicado por:Philos

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